[Nurses' view on the coordination of health actions among professionals of family health teams]

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This study was aimed at knowing the conception nurses who work in the Family Health Program have about the development of teamwork regarding the coordination of the actions of the various professionals that comprise it. It is a descriptive study with
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  Rev Esc Enferm USP2008; 42(2):256-61. www.ee.usp.br/reeusp/ 256 Visão de enfermeiras sobre as articulações das ações desaúde entre profissionais de equipes de saúde da família Colomé ICS, Lima MADS, Davis R  NURSES' VIEW ON THE COORDINATION OF HEALTH ACTIONSAMONG PROFESSIONALS OF FAMILY HEALTH TEAMSVISION DE ENFERMERAS ACERCA DE LAS ARTICULACIONES DE LAS ACCIONESDE SALUD ENTRE PROFESIONALES DE EQUIPOS DE SALUD DE LA FAMILIA Isabel Cristina dos Santos Colomé 1 , Maria Alice Dias da Silva Lima 2 , Roberta Davis 3 RESUMEN Este estudio tuvo por objetivo conocer laconcepción de enfermeras, que actúan enel Programa de Salud de la Familia, respectoal desarrollo del trabajo en equipo, encuanto a la articulación de las acciones delos diversos profesionales que lo compo-nen. Se trata de un estudio descriptivo deabordaje cualitativo. La recolección dedatos fue realizada por medio de en-trevistas semi-estructuradas a 23 enfer-meras. El análisis de los datos se hizo conbase en el Análisis Temático. Los resultadosmostraron que las enfermeras, en algunosmomentos, articulan sus acciones con losdemás profesionales del equipo. No obs-tante, existen factores que dificultan esaarticulación como el exceso de demanda deusuarios, la falta de tiempo de los profe-sionales para realizar la planificación cole-ctiva de sus prácticas y desarrollar accionespreventivas. De acuerdo a los resultadosobtenidos, se torna necesaria la reorgani-zación del proceso de trabajo, con el obje-tivo de realizar un trabajo efectivamenteintegrado. DESCRIPTORES Programa Salud de la Familia.Relaciones interprofesionales.Grupo de atención al paciente/ organización & administración. ABSTRACT This study was aimed at knowing theconception nurses who work in the FamilyHealth Program have about the deve-lopment of teamwork regarding the coor-dination of the actions of the various pro-fessionals that comprise it. It is a descri-ptive study with a qualitative approach.The data collection was carried out throughsemi-structured interviews with 23 nurses.The analysis of the data was carried outbased on Theme Analysis. The results sho-wed that the nurses, at certain moments,coordinate their actions with the otherprofessionals of the team. However, thereare factors that make this coordinationdifficult, such as excess of demand fromusers and lack of time for the professionalsto prepare the collective planning of theirpractices and develop preventive actions.According to the results obtained, it isnecessary to reorganize the work processin order to perform an effectively inte-grated work. KEY WORDS Family Health Program.Interprofessional relations.Patient care team/ organization & administration. A RT I   G O   O RI   GI   NAL   Visão de enfermeiras sobre as articulaçõesdas ações de saúde entre profissionaisde equipes de saúde da família *   Recebido: 30/01/2007Aprovado: 28/10/2007 RESUMO Este estudo objetivou conhecer a concep-ção de enfermeiras que atuam no Progra-ma de Saúde da Família sobre o desen-volvimento do trabalho em equipe, no quediz respeito à articulação das ações dosdiversos profissionais que a compõem.Trata-se de um estudo descritivo de abor-dagem qualitativa. A coleta de dados foirealizada por meio de entrevistas semi-estruturadas com 23 enfermeiras. A aná-lise dos dados foi realizada com base naAnálise Temática. Os resultados mostra-ram que as enfermeiras, em alguns momen-tos, articulam suas ações com os demaisprofissionais da equipe. Entretanto, exis-tem fatores que dificultam essa articulaçãocomo o excesso de demanda de usuários, afalta de tempo dos profissionais para reali-zar o planejamento coletivo de suas práti-cas e desenvolver ações preventivas. Con-forme os resultados obtidos, torna-se ne-cessária a reorganização do processo detrabalho, com intenções da realização deum trabalho efetivamente integrado. DESCRITORES Programa Saúde da Família.Relações interprofissionais.Equipe de assistência ao paciente/ organização & administração. * Extraído da dissertação “Trabalho em equipe no Programa Saúde da Família na concepção de enfermeiras”, Escola de Enfermagem, Universidade Federaldo Rio Grande do Sul (UFRGS), 2005. 1  Mestre em Enfermagem pela UFRGS. Professora Assistente do Curso de Enfermagem da Universidade Federalde Santa Maria (UFSM), Centro de Educação Superior Norte (CESNORS) de Palmeira das Missões. Palmeira das Missões, RS, Brasil. enfbel@yahoo.com.br 2  Professora Associada da Escola de Enfermagem da UFRGS. Doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo (USP). Porto Alegre, RS, Brasil.malice@enf.ufrgs.br 3  Enfermeira do Setor de Emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição de Porto Alegre. Porto Alegre, RS, Brasil.betadavis@hotmail.com  Rev Esc Enferm USP2008; 42(2):256-61 .  www.ee.usp.br/reeusp/ 257 Visão de enfermeiras sobre as articulações das ações desaúde entre profissionais de equipes de saúde da família Colomé ICS, Lima MADS, Davis R  INTRODUÇÃO O trabalho em saúde contempla a esfera não-mate-rial, sendo que seu produto consiste na própria presta-ção da assistência de saúde, a qual é produzida ao mes-mo tempo em que é consumida (1-2) . Além disso, está inseri-do na racionalidade de uma dada sociedade, tendo suasfunções determinadas por necessidades sociais, atenden-do a finalidades individuais e coletivas (3) .Para a realização do trabalho em saúde torna-se ne-cessária a articulação das ações de diversos profissio-nais (4-5) . Sobretudo no que se refere ao Programa de   Saúdeda Família (PSF), essa premissa torna-se indispensável,sendo as equipes multiprofissionais consideradas um dosinstrumentos fundamentais para o desenvolvimento dotrabalho e consolidação dos objetivos do Programa (6) .No entanto, um dos grandes desafios que se apresentaaos profissionais de saúde que vêm atuando no âmbitoda saúde da família refere-se à integraçãoda equipe de trabalho. Se essa dificuldadenão for superada, é possível que haja a repe-tição de um modelo de atenção à saúde frag-mentado, voltado ao enfoque da recupera-ção biológica individual, rígido na divisãodo trabalho e desigual no reconhecimentosocial dos diversos trabalhos (7) .Em estudo realizado em um município doEstado do Rio de Janeiro foi identificado quehá falta de coesão no desenvolvimento dotrabalho no PSF, tornando-se evidentes asdificuldades da equipe em atuar de formaintegrada (8) .Ressalta-se que trabalhar em equipe noPSF de maneira integrada significa estabele-cer conexões entre os distintos processos detrabalho, fundamentando-se em um certo conhecimentosobre o trabalho do outro e na valorização das contribui-ções deste na produção de cuidados. O estabelecimento deconsensos entre os profissionais, no que se refere aos obje-tivos e resultados a serem contemplados e à melhor formade atingi-los, também caracteriza um trabalho integrado (9) .Existem duas dimensões inerentes ao trabalho em equi-pe, sendo que uma diz respeito à interação dos profis-sionais e a outra se refere à articulação das ações, a qualpode ser definida como momentos em que os agentes,ativamente, colocam em evidência as conexões ou nexos existentes entre as distintas ações e os variados saberes técnicos  (4) .Nesta perspectiva, destaca-se a necessidade do de-senvolvimento de um trabalho conjunto, no qual todos osprofissionais envolvam-se em algum momento da assis-tência e, agindo de acordo com seu nível de competênciaespecífico, formem um saber capaz de dar conta da com-plexidade dos problemas e necessidades de saúde dosindivíduos e da coletividade.Assim, tem-se como objetivo conhecer a concepção deenfermeiras que atuam no Programa Saúde da Famíliasobre o desenvolvimento do trabalho em equipe, no quese refere à articulação das ações realizadas pelos diver-sos profissionais. MÉTODO O estudo teve como referencial teórico-metodológicoa pesquisa qualitativa, que permite o aprofundamento nomundo dos significados, relações humanas, atitudes, cren-ças e valores (10) .Os sujeitos do estudo foram 23 enfermeiras que com-põem equipes atuantes em Unidades Básicas de Saúdecom Programa Saúde da Família no município de PortoAlegre, Rio Grande do Sul.A coleta de dados foi realizada por meiode entrevistas semi-estruturadas. Foi utili-zado gravador a fim de garantir a fidedigni-dade do registro das respostas. Posterior-mente, as fitas gravadas foram transcritasna íntegra.Para análise dos dados foi utilizada a téc-nica de Análise Temática (11) . Os dados foramclassificados e agregados, estabelecendo-setrês categorias empíricas: (1) Concepções dasenfermeiras sobre o trabalho em equipe; (2)Articulação das ações dos profissionais notrabalho em equipe; (3) Interação da equipe.Neste artigo, são apresentados os resulta-dos referentes à segunda categoria.O projeto de pesquisa foi aprovado peloComitê de Ética em Pesquisa da Secretaria Municipal deSaúde de Porto Alegre (Parecer Projeto 286/2004). As enfer-meiras receberam e assinaram o Termo de ConsentimentoLivre e Esclarecido, o qual garantiu o anonimato e o caráterconfidencial das informações, de acordo com a Resolução196/96 do Conselho Nacional de Saúde (12) . Para preservar oanonimato, cada entrevistada foi identificada com um có-digo (ENF1, ENF2, ENF3, ENF4...), de acordo com a ordemcronológica de realização das entrevistas. RESULTADOS E DISCUSSÃO A articulação das ações ocorre nos momentos em queos diferentes profissionais da equipe evidenciam cone-xões entre os diferentes trabalhos (4-5) . Considera-se quehaja articulação nas situações em que os diversos profis-sionais promovam troca de idéias e informações sobre otrabalho, discussão de casos e tomada de decisões emequipe, utilizando as diferentes competências e funções ...trabalhar em equipeno PSF de maneiraintegrada significaestabelecer conexõesentre os distintosprocessos de trabalho,fundamentando-seem um certoconhecimento sobre otrabalho do outro e navalorização dascontribuições deste naprodução de cuidados.  Rev Esc Enferm USP2008; 42(2):256-61. www.ee.usp.br/reeusp/ 258 Visão de enfermeiras sobre as articulações das ações desaúde entre profissionais de equipes de saúde da família Colomé ICS, Lima MADS, Davis R  para a busca conjunta de resolução para os problemasde saúde dos usuários.As enfermeiras mencionaram que a articulação dasações se estabelece principalmente com os agentes co-munitários de saúde. Isso se explica pelo fato de essasprofissionais serem responsáveis pela supervisão do tra-balho dos agentes e estarem mais próximas deles no dia-a-dia de sua prática. Assim, ficaram evidentes as atribui-ções dos agentes comunitários de realizarem a busca ati-va dos usuários faltosos e transmitirem as informações àenfermeira. Os dados trazidos por essas profissionais sãofundamentais para que a enfermeira mantenha o controleda situação das famílias sob sua responsabilidade, comoevidencia o seguinte depoimento: [...] eu já deixei dois casos separados e que as agentescomunitárias também já estão sabendo, então a gente vaifazendo essa troca. Quando eu atendo uma criança que euvejo que está com as vacinas atrasadas, primeira coisa queeu vou querer saber, vou lá falar com a agente [...] (ENF9). Os agentes comunitários possuem informações impor-tantes que subsidiam o trabalho da enfermeira e dos de-mais componentes da equipe. Estudo revelou que, na óti-ca dos profissionais de saúde atuantes no PSF, o papelfundamental do agente comunitário é servir de elo entre a equipe de saúde e a comunidade  . Essa ligação constrói-sea partir da troca de informações que esse profissionalestabelece com ambos os lados. Todavia, salienta-se queo agente não pode constituir um elo isolado ligando duas partes, sem, contudo, interagir nessa corrente  : ele deve pro-mover uma verdadeira integração com os profissionaisde saúde e a comunidade (13) .Constata-se que as enfermeiras valorizam o trabalhorealizado pelos agentes de saúde, justamente pelo conta-to direto que estes mantêm com as famílias, o que viabilizao conhecimento da equipe sobre a realidade das mesmas,como se pode identificar a seguir: [...] os agentes comunitários têm um contato direto com asfamílias [...] conhecem detalhes das famílias que de repentenuma consulta aqui no consultório tu não vai ter acesso de jeito nenhum, nem o enfermeiro, nem o médico. Então muitascoisas tu recompõe, tu analisa de uma outra forma comesse conhecimento que o agente traz da rua [...] (ENF14). Verificou-se que as enfermeiras exercem uma ativida-de de supervisão e liderança do trabalho realizado pelosagentes comunitários e auxiliares de enfermagem, servin-do de referência para esses profissionais. Assim, devemprocurar auxiliar na identificação, análise e resoluçãodos problemas que lhe são apresentados. A primeira categoria de classe que eles procuram, tantoauxiliar como agente de saúde, é sempre o enfermeiro.[...] a gente é muito procurada para resolver tudo. [...]Quando eles vêm das visitas domiciliares, cada um jávem com um bloquinho   de problemas e que tu tem quetentar solucionar   (ENF21). As enfermeiras também conectam suas ações com asde outros profissionais da equipe, como dentista e médi-co, determinando, assim, a articulação com o trabalho detodos os profissionais da equipe. [...] atendo uma criança que tu vai examinar a cavidadeoral e vê que está um caos a boquinha; daí já dou ali paraa dentista, já converso com ela [...] muitas vezes tu fazuma ausculta pulmonar e vê que está bem alterado; já voulá e já peço para ele [médico]: Olha, dá para ir lá na sala ver o nenê?   Já discuto o caso com ele; já vem aqui, jáexamina; a criança já sai com a prescrição médica daquido consultório [...] (ENF10). Esse depoimento remete ao caráter complementar dosdiferentes trabalhos, no momento em que a enfermeiraaciona outros profissionais para intervirem em uma ne-cessidade do usuário, a qual está fora de sua capacidaderesolutiva. Dessa forma, pode-se inferir que a enfermeiraestá comprometida em resolver os problemas, pois reali-za os encaminhamentos necessários imediatamente a fimde evitar que o usuário precise retornar ao serviço em umoutro dia. Além disso, evidencia-se que um profissionalprecisa do trabalho do outro para dar continuidade àssuas intervenções e para promover o desenvolvimento daassistência integral em saúde.Em pesquisa realizada junto a uma equipe do PSF deum município baiano, com o objetivo de identificar evi-dências de articulação das ações e interação dos profis-sionais na equipe, verificou-se que, em diversos momen-tos do trabalho, os profissionais estabeleciam conexõesentre as diferentes ações, buscando os demais membrosda equipe para trocarem informações e esclarecerem dú-vidas. Esses achados vêm ao encontro dos evidenciadosneste estudo e caracterizam, portanto, a articulação entreas diversas práticas (14) .Observa-se a complementaridade de ações no que serefere à utilização do prontuário da família, evidente nodepoimento a seguir: O prontuário é extremamente respeitado por todos aqui.Então tu vai pegar um prontuário nosso, eu tenho douto-rando, técnico de enfermagem, enfermeiro, médico, todosseguindo. [...] eles vão seguir o que eu já tinha posto ali.Não vão fazer uma outra anamnese: eu já fiz a minhaparte, eles vão complementa (ENF6). O fato do prontuário de atendimento ser o mesmo parautilização de todos os membros da equipe permite que osprofissionais tenham uma visão mais abrangente do his-tórico e do estado de saúde dos usuários, e, assim, com-plementem os demais trabalhos.As enfermeiras apresentam como um fator de dificul-dade o excesso de demanda de usuários pelo serviço, queocasiona falta de tempo para articular os diversos traba-lhos e planejar as ações a serem desenvolvidas. Muitasvezes, sentem-se meras cumpridoras de tarefas, pois nãoencontram tempo para pensar sobre o seu fazer.  Rev Esc Enferm USP2008; 42(2):256-61 .  www.ee.usp.br/reeusp/ 259 Visão de enfermeiras sobre as articulações das ações desaúde entre profissionais de equipes de saúde da família Colomé ICS, Lima MADS, Davis R  [...] o planejamento nosso que está prejudicado. Eu achoque é isso que a gente teria que se organizar mais: a gentesó faz, faz, faz e não planeja muito. Eu me sinto umatarefeira, sem conseguir planejar as coisas, tu está sem-pre atendendo naquele ritmo acelerado e tu não pára parapensar como é que tu vai fazer tal coisa, como é que tu vaimelhora. (ENF11). Essa situação faz com que a equipe atue sobre casosisolados, de acordo com a demanda de usuários, pois hápouco tempo para planejar e implementar ações coleti-vas que visem à prevenção e à promoção da saúde da co-munidade. A impossibilidade ou a dificuldade de se esta-belecer metas e objetivos a serem alcançados provocaum sentimento de frustração na equipe, fator limitante naexecução do trabalho.Outra investigação realizada com uma equipe de saú-de da família revelou que os momentos de articulaçãodas ações entre os profissionais dão-se de maneira limi-tada, pois estão sempre voltados para a resolução de si-tuações imediatas do cotidiano do trabalho provenientesdas queixas dos usuários. Os autores afirmam que essefato compromete a construção de estratégias preventivasreferentes às necessidades da comunidade local (14) .Com isso, questiona-se, dessa forma, se a estratégiasaúde da família não estaria contribuindo para a manu-tenção de um modelo de atenção à saúde individual ebiologicista, o qual desconsidera os inúmeros aspectosdo contexto em que as famílias estão inseridas. O desen-volvimento de um trabalho parcelar, no qual cada profis-sional realiza suas atividades de forma desarticulada eindependente das ações dos demais, pode contribuir, sig-nificativamente, para a falta de comprometimento e res-ponsabilização desses agentes com o resultado de suaspráticas.Nessa perspectiva, destacam-se os conceitos de nú- cleo de competência e de responsabilidade   e de campo de competência e de responsabilidade  . O núcleo   é definidocomo o conjunto de saberes e de responsabilidades especí- ficos a cada profissão ou especialidade  (15) . Portanto, podeser entendido como o ponto de diferenciação entre as di-versas profissões, no qual são evidenciadas as compe-tências e os saberes particulares de cada uma. Já campo  refere-se aos saberes e responsabilidades comuns ou con- fluentes a várias profissões ou especialidades  (15) . Assim, co-nhecimentos básicos sobre o processo saúde-doença sãocomuns a todas as profissões da área da saúde, sendo,portanto um ponto de convergência entre elas.As discussões acerca do núcleo de competência e deresponsabilidade trazem a idéia de autonomia profissio-nal, na medida em que se referem às especificidades dossaberes de cada profissional, mas também remetem àinterdependência dessas autonomias. Neste sentido, onúcleo de competência de cada profissional, de maneiraisolada, não é suficiente para contemplar a complexida-de do atendimento das necessidades de saúde, sendo ne-cessário flexibilizar os limites das competências paragarantir uma prática integral (7) .As enfermeiras referiram que encontram dificuldadesde tempo inclusive para se reunirem com as auxiliares deenfermagem, pois estas também possuem expressiva de-manda de trabalho. [...] Eles [auxiliares] estão com uma demanda muito grandede atividades [...] Então não tem como eu chegar e dizer Olha, tu tem que fazer isso, tu tem que trabalhar preven- ção!   Eles não têm como fazer. Eles têm que trabalhar emcima da demanda, e talvez isso dificulte a articulação [...](ENF23). As enfermeiras atribuíram o excesso de demanda deusuários ao número elevado de famílias designadas paracada equipe, inclusive em função da proposta de acolhi-mento desenvolvida pela Secretaria Municipal de Saúde(SMS) de Porto Alegre.No ano de 2001, a SMS lançou o Projeto de Qualifica-ção do Acolhimento na Atenção Básica, motivada pelanecessidade de desenvolver ações que efetivassem os prin-cípios do SUS, sendo o acolhimento um aspecto funda-mental nesse sentido. Desta forma, o acolhimento foi de-finido como um processo no qual os trabalhadores desaúde e a organização assumem a responsabilidade derealizar intervenções na realidade presente em sua áreade atuação, e, a partir da identificação das principaisnecessidades de saúde, buscam promover a saúde combase no estabelecimento de relações humanizadas e aco-lhedoras, no âmbito individual e coletivo. Objetiva-se,ainda, a autonomia do usuário por meio de ações da equi-pe de saúde, da organização do setor saúde e de açõesintersetoriais e interinstitucionais (16) .Na equipe em que está implantado o acolhimento qua-lificado, há agenda aberta, ou seja, não existem dias ehorários fixos para agendamento e é realizada a escutade 100% dos usuários para avaliação de suas necessida-des (16) . Nesse caso, todos os usuários que chegam ao ser-viço devem ser ouvidos e, a partir da avaliação de suasnecessidades, encaminhados para as atividades ofereci-das dentro da Unidade ou para outros serviços, conformeas particularidades de cada caso. [...] com a questão do acolhimento, aumentou muito a de-manda pelo serviço [...] Antes a gente fazia uma triagempara ver o que ia passar no dia; mas aquilo que não iapassar para consulta no dia não ia nem marcar nem nada:a pessoa ia sair daqui tendo que voltar um outro dia paramarcar consulta. Então no ponto de vista do usuário faci-litou muito; agora para nós é uma coisa que aumentoumuito o trabalho que a gente tem [...] (ENF11). Outra pesquisa evidenciou que os profissionais atu-antes em unidades de saúde da família realizam um nú-mero elevado de acolhimentos diariamente. As autorasreconhecem que a prática de acolher amplia o acesso dosusuários aos serviços, porém gera a necessidade de dis-  Rev Esc Enferm USP2008; 42(2):256-61. www.ee.usp.br/reeusp/ 260 Visão de enfermeiras sobre as articulações das ações desaúde entre profissionais de equipes de saúde da família Colomé ICS, Lima MADS, Davis R  cussões por parte de profissionais e gestores sobre asdemandas atendidas, a fim de reavaliar a oferta de ser-viços, os programas prioritários e a própria organizaçãodo trabalho da equipe (17) .As enfermeiras salientaram que, com a atividade deacolhimento, a equipe fica sobrecarregada, pois deve re-alizar os encaminhamentos pertinentes de todos os usuá-rios que chegam ao serviço. Além disso, algumas vezes, apopulação adscrita é maior do que a capacidade de aten-dimento da equipe.Em investigação realizada com o objetivo de analisar aimplantação do PSF no município de Florianópolis, os pro-fissionais de saúde referiram que encontram inúmeros pro-blemas relacionados à sobrecarga no dimen-sionamentodas equipes, pois todas as Unidades estudadas possuemum número de famílias cadastradas superior ao previsto.Salientaram que isso ocasiona falta de tempo para a equi-pe realizar ações menos complexas, tais como visitas do-miciliares e formação de grupos educativos (18) .Dados semelhantes foram encontrados em outro estu-do, o qual identificou que um dos fatores que dificultam aarticulação das ações consiste no excesso de demandaque cada profissional da equipe absorve, decorrentedo grande número de famílias cadastradas, o que preju-dica a coesão da mesma e promove a fragmentação dotrabalho (14) .Em consonância com isso, considera-se que a sobre-carga de trabalho e a conseqüente falta de tempo sãoelementos que podem dificultar a articulação das açõesna equipe, na medida em que os profissionais não encon-tram espaços no cotidiano para realizar interfaces e co-nexões entre os diversos saberes e práticas, desperdiçan-do, assim, o grande potencial do trabalho em equipe. Emcontrapartida, nos questionamos se essa situação queresulta em excesso de atividades e falta de tempo nãoderiva justamente das dificuldades que as equipes pos-suem de realizar um trabalho integrado, pois a coopera-ção pode contribuir para a organização do trabalho e,conseqüentemente, para o seu melhor desenvolvimento.Quando questionadas sobre a articulação entre asações dos diversos profissionais, as entrevistadas referi-ram que ela ocorre principalmente no momento da reu-nião realizada semanalmente e está vinculada à necessi-dade da equipe de falar a mesma linguagem, isto é, afinar  os discursos de forma que todos tenham o mesmo enten-dimento sobre determinados assuntos. [...] a gente conseguiu preservar o espaço da reunião deequipe [...] esse é o principal momento de articulação e decombinações [...] (ENF1).[...] nessas reuniões a gente coloca muito assim, sempretem essa solicitação de que todos falem a mesma língua;porque eu não posso dar uma orientação para uma pa-ciente, e depois vir a minha colega e dar uma orientaçãodiferente (ENF15). Em investigação (14)  junto a uma equipe do PSF, verifi-cou-se que as reuniões ficavam restritas à busca de solu-ções para problemas administrativos, à divisão de tare-fas entre os trabalhadores; à socialização de programa-ções feitas pelos profissionais de nível superior; e a com-binações sobre a dinâmica de atendimento na Unidade.Com isso, as reuniões não propiciavam a reflexão coleti-va sobre o trabalho, dificultando o planejamento de açõesconjuntas, já que estavam direcionadas basicamente paraa transmissão de informações técnicas. Destaca-se a ne-cessidade de ultrapassar esses limites, pois é fundamen-tal que as reuniões proporcionem momentos para (re)pen-sar o cotidiano de trabalho e a interação entre os compo-nentes da equipe, sendo um espaço que permita aos pro-fissionais compartilhar seus anseios, dúvidas e expecta-tivas. Ainda, entende-se que as reuniões devem permitir adiscussão de problemas identificados e a construção deconsensos, mesmo que temporários, sobre a resoluçãodos mesmos.As enfermeiras encontraram limitações para realizara articulação entre as diversas práticas, referindo queesta fica restrita basicamente aos momentos de reuniãode equipe. Contudo, entende-se que essa conexão é ine-rente ao processo de trabalho diário dos profissionais edeve fazer parte da dinâmica da assistência, sem horamarcada para acontecer. CONSIDERAÇÕES FINAIS Constatou-se que, em diversos momentos, as enfer-meiras conectam suas ações com as dos demais mem-bros da equipe. Essa articulação é mais intensa com osagentes comunitários e os auxiliares de enfermagem, de-vido à função de supervisão que elas exercem junto aesses profissionais; mas também se estabelece com omédico e o dentista, normalmente nos momentos de aten-dimento aos usuários, com a finalidade de trocar infor-mações, esclarecer dúvidas e realizar os encaminhamen-tos pertinentes.A articulação das ações da equipe fica prejudicadapela excessiva demanda de usuários pelo serviço. Essarealidade acarreta sobrecarga de trabalho e falta de tem-po para os profissionais planejarem em conjunto as açõesa serem implementadas. Dessa forma, não conseguemprogramar e desenvolver ações preventivas, ficando en-volvidos com o atendimento da demanda espontânea,geralmente realizado em suas salas individuais. Assim,tornam-se evidentes as limitações das enfermeiras pararealizarem conexões entre os diversos trabalhos e intera-girem no cotidiano de suas práticas, ficando essas ques-tões restritas basicamente aos momentos de reunião deequipe.Essa realidade exige a reorganização do processo detrabalho. Para isso, são necessárias discussões entreusuários, equipe e gestão municipal, visando à busca con-
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